Publica-se a meditação apresentada pela Equipa de Acolhimento da Capela do Rato, dando continuidade à partilha pública da Palavra de Deus. A meditação foi preparada por Ana Lúcia Esteves, Bertília Pereira, Helena Carmona, Joaquim Fragoso, Paulo Raposo, Rodolfo Knapič, Teresa Fragoso e Teresa Knapič. A Teresa Fragoso deu voz ao texto escrito.

Querida Comunidade da Capela do Rato,

No seguimento do desafio lançado na Assembleia Sinodal desta Comunidade em 2023, coube agora à equipa de Acolhimento, saída da mesma Assembleia, partilhar a nossa reflexão das leituras de hoje

Os três textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento que acabámos de ouvir, têm em comum 3 palavras: Humildade, Justiça e Pobreza, traduzindo o modo como Cristo viveu.

Na Primeira Leitura, do Profeta Sofonias, pouco mais de meio século a.C., viviam-se tempos de afastamento aos mandamentos de Deus, no meio de arbitrariedades do abuso da autoridade e das injustiças sociais contra a dignidade do ser humano. O profeta denuncia estes abusos na procura de levar o povo de Deus à conversão, indispensável para a salvação.

Cabe, pois, a cada um de nós reflectir se no nosso dia a dia, estamos dispostos a renunciar à prepotência, ao orgulho, à ambição, ao autoritarismo e à autossuficiência.

Na Segunda Leitura, São Paulo reforça esta lógica. Ele olha para nós e diz: “Vede quem sois vós”. Deus não escolheu os mais influentes ou os sábios segundo o mundo.

Nesta Primeira Epístola aos Coríntios é-nos transmitido que Deus escolheu a fragilidade das periferias tornando-se assim justiça, redenção, sabedoria e santidade no dom da vida.

É o convite ao caminho do amor, na sabedoria que conduz à salvação e à vida plena. O que é mais importante para que a nossa vida valha a pena? O que no mundo de hoje muitos valorizam, principalmente os fatores humanos tais como, o poder, o reconhecimento social, os títulos, etc?

O cristão não pode ficar só pelos factores humanos, porque estes falham, a validade é limitada. Ele deverá seguir Jesus vivendo segundo os Seus valores e com Ele seguir o caminho do amor.

No Evangelho de Mateus, Jesus sobe ao monte para proclamar as “bem-aventuranças” e sentando-se com os discípulos começou a ensiná-los.

Bem-aventurados os pobres em espírito.

Os “pobres em espírito” são aqueles que, confiam em Deus, que colocam a sua esperança em Deus. São os que renunciando ao egoísmo, estão sempre disponíveis para o serviço aos outros. Devemos questionar-nos como é que nos sentimos perante este ensinamento?

Bem-aventurados os humildes.

Os “humildes” também nalgumas traduções chamados os “mansos”, são os que evitam a violência, os que são pacientes. Como é que cada um reage quando confrontado com a violência e ou o ódio?

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça. São os que com sinceridade honram os compromissos com Deus, tentando levar uma vida justa.

Este texto, um dos mais belos do Evangelho, define o modelo de vida que os seguidores de Jesus devem adoptar. As “bem-aventuranças” são propostas para os fiéis seguirem e viverem em comunidade para a construção de uma vida feliz e com sentido, a caminho da salvação.