Queridas Irmãs
Queridos Irmãos

Após a habitual pausa estiva, vamos recomeçar um novo ano pastoral. O atual contexto de contingência sanitária vai continuar a condicionar as nossas atividades e relações; não se prevê, nem é desejável, aligeiramento. Vamos aprendendo a viver assim em família, em sociedade e em Igreja, aliando risco e a prudência, numa tensão que nos pode inibir mas também suscitar criatividade.

Vamos recomeçar as celebrações dominicais da eucaristia no dia 13 de setembro, domingo, pelas 11h.30. Pela fraca participação, suspende-se a celebração vespertina da eucaristia, ao sábado. Vamos manter o sistema de inscrições prévias, através do site da Capela, para controle de lugares, dadas as nossas limitações espaciais. Continuaremos a transmitir on line a eucaristia, pensando nos irmãos e irmãs que não podem participar presencialmente. Será uma forma de continuarem «ligados» à vida da comunidade. Mantemos todas as práticas de higienização e de distanciamento com que recomeçamos, em Junho, as celebrações comunitárias da eucaristia.

Apelo-vos e motivo-vos à participação presencial na eucaristia. Nada substitui a presença concreta, de corpo inteiro, no corpo da comunidade local, reunida no mesmo espaço, à volta da mesma mesa. O recurso televisivo e informático (via streaming) é justificável para quem, por força das circunstâncias, não pode participar na celebração da eucaristia. Não nos deixemos acomodar, na tranquilidade de nossas casas, em seguir a eucaristia à distância. Nenhum ecrã substitui o rosto e o corpo do irmão. A eucaristia é encontro de pessoas concretas, na diversidade de origens, idades, contextos existenciais.

Valorizemos a participação presencial na celebração das eucaristias, individualmente ou em família, recriando o tecido dos nossos afetos e sociabilidades. Não nos falte esse sobressalto de «desejo do outro», essa exigência de comunhão concreta, esse folgo de esperança para não quebrar pertenças. Precisamos todos de vencer o vírus do isolamento, do individualismo e da indiferença. Como recentemente dizia o nosso querido Cardeal D. José Tolentino, «hoje, o grande perigo é a desagregação que nos afasta da dimensão comunitária da vida, como se não fizéssemos parte uns dos outros». A participação «ao vivo» na eucaristia celebra e reforça essa pertença comum.

O evoluir da situação sanitária poderá obrigar a fazer retrocessos, a rever opções, a corrigir metodologias. Vivemos tempos em que caminhamos, tateando, o imprevisível. A incerteza e a exigência do tempo presente possam motivar uma maior corresponsabilidade na vida e nas decisões da nossa comunidade. Precisamos de avaliar riscos, limites, oportunidades, recursos, custos e opções prioritárias. A capacidade participativa e interventiva dos nossos leigos nos vastos campos da vida social, cultural, científica, académica, económica…, a experiência de saber acumulado, é um tesouro da nossa comunidade e promessa de renovação no futuro. Para novos tempos precisamos de inventar novas soluções. Nas atuais circunstâncias, como podemo-nos cumprir, para onde podemos ir, o que podemos realizar? A esse discernimento comunitário vos convido no início do presente ano pastoral. E assim havemos de traduzir o apelo do nosso Bispo, D. Manuel Clemente: «crescer em corresponsabilidade», «incentivar e desenvolver todos os órgãos de corresponsabilidade comunitária» (Carta aos Diocesanos, Ano pastoral 2020/21).

Na primeira audiência publica, no início de setembro, desafiava-nos o Papa Francisco: «A atual pandemia pôs em evidência a nossa interdependência: estamos todos ligados uns aos outros, tanto no mal como no bem. Por conseguinte, para sairmos melhores desta crise, devemos fazê-lo juntos, não sozinhos, juntos. Não sozinhos porque não se pode! Ou juntos ou não é possível. Temos que o fazer em conjunto, todos nós, em solidariedade». Esta é a oportunidade do tempo presente, crescermos em solidariedade e corresponsabilidade (sinodalidade), na consciência de que tudo está interligado, e a vida de cada um de nós cruza-se com a vida dos outros e de toda a criação.

Desejo-vos a cada um de vós, queridas irmãs e queridos irmãos, um recomeço esperançoso, motivado pelas exigências e pelas oportunidades do tempo presente. Que o sopro do Espírito nos inspire novos e ousados caminhos de fidelidade ao Evangelho.

Abraço-vos com amizade
P. António Martins