Seja bem-vindo, Senhor D. Manuel, a esta Comunidade da Capela do Rato, a recompor-se após este tempo difícil confinamento. Agradecemos-lhe a sua disponibilidade para presidir a esta eucaristia, transmitida pela internet.

Começo por recordar as palavras da escritora Lídia Jorge, quando lhe perguntaram a primeira coisa que gostaria de fazer após confinamento: «Quero correr para o cemitério onde ficou o corpo de minha mãe e cobrir-lhe o chão de flores. Não houve possibilidade de lhe dizer adeus, nem sequer de ver a terra cobrir-lhe o lugar do seu descanso. Só quando essas palavras ficarem ditas, vou poder passear diante do mar, com amigos e amigas, que hei de abraçar e beijar».

Nesses tempos em que rigorosas medidas sanitárias foram aplicadas, não foi possível celebrar em comunidade, com tempo e interioridade, as exéquias de tantos irmãos e irmãs falecidos: os ritos foram mínios e rápidos, os familiares presentes poucos. Nessas circunstâncias o luto foi mais duro, mais violento e mais demorado: tantas palavras ficaram por dizer, tantos gestos de consolação ficaram sem cumprimento.

Agora que as celebrações comunitárias recomeçaram, não podemos esquecer os irmãos e irmãs falecidos e as famílias enlutadas. Por eles e com elas queremos, hoje, expressamente rezar. Na memória da páscoa de Cristo, fazemos memória da páscoa de irmãos e irmãs falecidos na fé e em humanidade em tempo de pandemia: idosos, por vezes na mais profunda solidão, artistas, médicos, enfermeiros, sacerdotes, religiosos e religiosas que com Cristo se configuraram na morte por amor e cuidado de seus irmãos mais frágeis, comungando com eles o mesmo destino. «Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos», conforta-nos hoje o Apóstolo Paulo, a renovar a nossa esperança.

Não podemos esquecer e deixar de rezar por aqueles e aquelas que morreram no mais profundo anonimado, desamparo e solidão, e foram enterrados em fossas comuns.

Invocamos o seu nome, e através do nome toda a sua história de vida só por Deus inteiramente conhecida. Os seus nomes estarão agora inscritos, assim o acreditamos, no Livro da Vida:

  • Alberto Garcia Afonso.
  • Adelaide Herradon Vasques Fachim, falecida a 2 de Junho, com 86 anos.
  • Aníbal de Oliveira Lopes, falecido a 26 de Maio, com 84 anos, com Covid 19, pai de uma Irmã da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena que está colocada em Timor, acabou por falecer em grande solidão no Hospital de Santa Maria.
  • Carlos, «dos últimos momentos nada ou quase nada pudemos acompanha. Esse sofrimento, de um lado e de outro, do doente e dos familiares, pomos aos pés da Cruz, e rezamos por todos os que faleceram». São as palavras de um familiar.
  • Custódia Bolrinha, falecida a 5 de Maio, em Boliqueime, vítima de doença prolongada. («apesar ada vida sofrida, gostavas muito de viver1», testemunha o neto, no momento da despedida.
  • Horácio Telo da Fonseca, falecido a 10 de Abril, com 104 anos.
  • Ermelinda Carvalho Esteves, falecida a, com quase 93 anos.
  • Jacinto dos Santos Rainho, falecido a 28 de Abril.
  • José Luís Chaves de Almeida Fernandes, falecido a 24 de Abril, com 69 anos, com fibrose pulmonar grave, pedido enviado pela mulher Filomena Fernandes;
  • Maria Fernanda Mateus, falecida a 10 de Abril, com 70 anos, com problemas de insuficiência respiratória e e cardíaca.
  • Maria da Luz Galrão, falecida em pleno estado de emergência sem qualquer missa de despedida.
  • Maria de Jesus Marques.
  • Maria de Sousa, falecida a 14 de Abril, com 81 anos, Professora, Cientista e Imunologista, falecida no Hospital de S. José, vítima de Covid 19. Das últimas palavras que nos deixou: «Porque posso morrer e vós tereis de viver/Na vossa vida a esperança da minha duração»
  • Natália Ramalhão, falecida a 22 de março.

PAUSA ESTIVAL

A Capela encontra-se em pausa estival, reabrindo a 13 de setembro.

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