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A “Conversa sobre Deus” desta semana passou por vários poemas, filmes, livros, citações de vários autores, com predominância para Kierkegaard e T.S. Elliot. E por muitas referências ao Livro de Job, um livro sapiencial do Antigo Testamento que conta a história de um homem que mantém a fé em Deus, apesar de todas as duras provas a que é sujeito. Com este livro, o cronista e poeta Pedro Mexia aprendeu que Deus não dá as respostas a todas as perguntas.

“Nós esperamos respostas de Deus, mas há muitos livros que não são satisfatórios no sentido imediato de quem procura um Manual de instruções”, disse Pedro Mexia na conversa com Maria João Avillez, esta quarta-feira, na Capela do Rato, em Lisboa. E acrescentou: “A Bíblia está cheia de instruções que não compreendemos.”

Mas essa dimensão de incompreendido, de mistério é central na vivência cristã do ensaísta, para quem o cristianismo “é uma relação com o transcendente e não apenas um conjunto de regras, de crenças, de códigos éticos”.

“O cristianismo a que se retira a dimensão metafisica é um edifício respeitável, mas não passa de uma espécie de ONG”, disse Mexia, depois de explicar que “entre os homens de boa vontade” há a tendência para olhar para os crentes e pensar ou dizer “isto são tudo umas ‘patranhas’, mas, se estas pessoas são melhores por causa disto, ainda bem”. Essa não é contudo a sua visão. “Isso pode ser fonte possível de diálogo entre crentes e não crentes, mas não me diz muito”, afirmou o convidado desta semana, que, à semelhança de Fernando Santos, na semana passada, gosta de citar São Paulo e a máxima: “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé.”

Pedro Mexia reconheceu que o seu catolicismo é, em parte, fruto de um “percurso familiar”, mas não só, pois muita gente que conhece e que fez o mesmo percurso não tem hoje fé e saiu da Igreja. “Há uma certa transmissão de valores e de hábitos, nos quais, no meu caso, o catolicismo fazia parte, mas há um momento em que tem de se ficar em pé na bicicleta, sem as rodinhas da transmissão familiar”, disse. Ou seja, há um momento de decisão pessoal, acredita este cronista, que diz ter “uma espécie de pudor religioso” e prefere “viver a fé como um assunto íntimo”.

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